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ENCONTRO DAS AMÉRICAS 2008
27 Março 2008
Participantes do Encontro das Américas 2008
Participantes do Encontro das Américas 2008 (Foto Ismar Villavicencio)
Um evento com todas as cores das Américas e do mundo.

Conversas honestas, momentos de silêncio, troca de experiências, aprofundamento e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs, etc., marcaram o XIII Encontro das Américas (EA). O evento, coordenado por uma equipe multinacional, ocorreu entre 8 e 16 de março de 2008, no Sítio São Luiz, Petrópolis, Brasil. Respondendo ao tema “Frente a um mundo conturbado, a que as Américas estão sendo chamadas?”, foram listadas propostas para um plano de ação comum, entre elas a inclusão de questões indígenas no website global, capacitação de equipes, trabalhos com famílias e sustentabilidade do trabalho de Iniciativas de Mudança (IM) em todo o continente. Com um compromisso pela atenção às dores e injúrias conferidas pelas atuais divisões, a visão era promover esperança e reconciliação.

“Durante esta semana estamos descobrindo o que as Américas podem dar ao mundo. Mas primeiramente precisamos nos comunicar, estar unidos, aprender mais da cultura uns dos outros, dos problemas que cada país tem e como podemos encontrar soluções. Deus tem um plano para as Américas.” (Luis Puig, Presidente de Iniciativas de Mudança no Brasil).

O EA contou com a vinda de mais de 100 pessoas procedentes da Argentina, Áustria, Canadá, Chile, Costa Rica, Colômbia, Escócia, Estados Unidos, França, Guatemala, Holanda, Honduras, Inglaterra e Uruguai, além do Brasil, que se dedicaram durante uma semana à temas gerais e específicos, incluindo a oficina "Ferramentas para Transformação", onde aprofundamos sobre a maneira de criar equipes diversas e como mantê-las. Outros países mandaram mensagens de apoio e reflexão.

“O EA superou todas as minhas expectativas. Nunca havia participado de um encontro de IM e para mim foi uma troca de experiências pessoais, novas ferramentas para trabalhar em minha comunidade e uma abertura para meus conhecimentos.” (Lucas Santos, Novo Hamburgo, Brasil – Movimento Gente que Avanza).

Índios da tribo Pataxó (Porto Seguro, Brasil) fizeram a abertura do encontro através da dança
Índios da tribo Pataxó (Porto Seguro, Brasil) fizeram a abertura do encontro através da dança (Foto Ismar Villavicencio)
Índios da tribo Pataxó (Porto Seguro, Brasil) fizeram a abertura do encontro através da dança. Sua música falava que só é possível transformação humana se houver mudança no coração e na mente das pessoas, através do amor e do respeito pelo outro. Todos participaram de mãos dadas num grande círculo, pedindo paz e energia positiva.

“Quando iniciamos os trabalhos dentro e fora da aldeia fazemos o ritual que apresentamos aqui. Pedimos paz a Tupã para que tudo seja realizado da melhor maneira possível. Do encontro levo tudo que aprendi e muitos ensinamentos que passarei ao nosso povo.” (Arassari Pataxó, Porto Seguro, Brasil).

Oficina "Ferramentas para Transformação"
Oficina "Ferramentas para Transformação" (Foto Ismar Villavicencio)
"Ferramentas para Transformação", oficina desenvolvida durante quatro tardes, propiciou o desenvolvimento dos participantes. Com orientação de Rob e Susan Corcoran e tradução multinacional, tratou sobre a maneira de criar equipes com pessoas diferentes e ferramentas para poder mantê-las.

“O Encontro das Américas 2008 foi um grande passo em direção à integração. Pudemos compartilhar em três idiomas nossas realidades e nos darmos conta de que somos irmãos com as mesmas esperanças e anseios, sofrendo dos mesmos tipos de problemas e com uma imagem distorcida – pelos meios de comunicação – dos outros países. Foi um enriquecimento mútuo compartilhar com pessoas da América do Norte e poder estabelecer um verdadeiro espírito continental. Foram dados os primeiros passos para um trabalho conjunto para a mudança nas Américas, começando pela família”. (Maria Cristina Muñoz, Bogotá, Colômbia).

Sobre a realidade política e social de cada nação, Susan Corcoran (Richmond, EUA) falou que seu pais é como um grande elefante do continente, que quando caminha vai esmagando o que encontra pela frente com suas grandes patas, destacado da manada e seguindo sozinho. A população de Richmond é composta por 60% de negros e 40% de brancos; a sociedade, agora em franco processo de transformação, tem estado segregada e carregando as feridas do racismo.

“O EA é o lugar realmente favorável para que pessoas de vários países se encontrem e possam determinar um projeto ou uma ação em comum. De uma forma geral eu vejo como estes encontros servem para envolver IM na sociedade. Na verdade a América Central, os EUA e o Canadá já estão sendo envolvidos, pois precisamos um do outro”. (John Freebury, Canadá).

Dinâmica sobre as Expectativas Gerais
Dinâmica sobre as Expectativas Gerais (Foto Ismar Villavicencio)
Um grupo da Argentina informou sobre o lançamento oficial de sua Associação IM em seu país dias antes. Valéria Fracchia, uma professora, encontrou IM pela primeira vez em Novembro. “Sinto como se tivesse procurando por algo igual a isso durante toda a minha vida – um grupo que compartilha os meus valores”.

“Cheguei aqui através da matéria do jornal e da Internet e fiquei muito à vontade com os temas abordados, com as pessoas e de sua preocupação com o ser humano, com o meio ambiente, com as relações humanas. Acho que faltam atitudes e exemplos como os que vimos aqui nesta semana, para que possamos seguir em frente.” (Luis Vanzan, Petrópolis, Brasil).

Da Consulta Global Especial (22-30 Janeiro), Panchgani, Índia, chega a mensagem de Rajmohan Gandhi, trazida pelos representantes da América Latina naquele evento. O neto de Mahatma Gandhi foi declarado "Cidadão Honorário de Petrópolis" quando esteve no Brasil. Ele é professor universitário nos EUA e dedica-se à pesquisa de assuntos políticos e sociais.

“Estou muito feliz de saber sobre o Encontro das Américas 2008. Infelizmente não poderei estar presente, mas envio meus votos de sucesso. Tenho o privilégio de ter visitado muitos países da América Latina em 1961 e 1965. Sei da suprema importância desses países para o mundo como um todo. Acompanho de perto seu desenvolvimento.” (Rajmohan Gandhi).

O EA recebeu a visita de várias lideranças comunitárias do Rio de Janeiro. Luiz Soares, das comunidades Chácara do Céu e Complexo de Manguinhos, faz um trabalho com o título "Tratar como gostaria de ser tratado". O foco é a mediação de conflitos. Todos os problemas que seriam levados a instâncias maiores, como a polícia e a justiça, são conversados na comunidade até se conseguir a pacificação, como separação de casais, partilhas dos bens, etc. Desde quando conheceu IM, sua transformação é um alicerce para o trabalho que realiza.

“Fiquei feliz em ver uma nova geração assumindo a liderança para o trabalho de IM nas Américas, importante para o mundo inteiro, e ainda se confraternizando com alegria. Isso é trabalhar a nível continental.” (Elsa Vogel, França).

Há muito trabalho pela frente. A sede para o próximo encontro será definida em setembro deste ano, quando as equipes nacionais e uma equipe continental poderão avaliar suas possibilidades. Enquanto isso, é hora de detalhar o plano de ação comum para as Américas e agir.

Joelina Cândida Alves

Relatório completo em PDF (português)
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